quinta-feira, 19 de março de 2009

A culpa é de quem?!?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou e enviou ao Congresso Nacional na semana passada um projeto de lei que visa cadastrar todo e qualquer cidadão que queira ir a um estádio de futebol assistir a um jogo do seu time - essa lei inclui também os jogos da Seleção Brasileira -, ou seja, precisaremos ter um "cartão de identidade obrigatório" para podermos frequentar os estádios.

De acordo com o nosso ilustríssimo Sr. Presidente, a medida tem como principal objetivo coibir a violência no futebol, monitorando cada passo dado pelos torcedores. Mais ou menos como a teoría do Panóptico¹, citada por Michel Focault, em seu célebre livro Vigiar e Punir.
O que não me entra na cabeça, é como os problemas no Brasil são "resolvidos", se é que os são, pois, como diria Chico Buarque:

"Não existe pecado do lado de baixo do equador...
...
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor"


É muito fácil os governantes acharem que cadastrando os torcedores, instalando câmeras de TV nos estádios e excluindo a grande massa dos estádios em prol da elitização do futebol - leia-se Copa do Mundo de 2014-, o novo público do futebol, ou os novos "clientes" estarão a salvo das
mazelas futebolísticas.

De acordo com o Ministério dos Esportes, desde 2003, um brasileiro morreu a cada 2 meses por conta de violência ligada ao futebol. O que eles não enxergam ou creio eu não querem enxergar, que o futebol e as temidas "torcidas organizadas" são uma fatia, um reflexo de uma sociedade desprovida de valores morais e culturais que há mais de 500 anos vem enaltecendo o "jeitinho brasileiro", que nada mais é do que a evolução do mal-caratismo. A prova desse reflexo vivido nos estádios de futebol pode ser observada na pesquisa "Geografia da Violência na região Metropolitana do Rio", desenvolvida pelo CESeC — Centro de Estudos de Segurança e Cidadania :

"A taxa de 16,7 homicídios por 100 mil habitantes na parte mais nobre do Rio em 2004 correspondia a seis vezes a de Londres (2,8) e a mais que o dobro da registrada em Nova York (sete)".

A Inglaterra foi a pioneira a sofrer de forma intensa com o Hooliganismo, que depois se espalhou por toda europa, no entanto, não foram as câmeras de TV e nem o cadastro dos torcedores "baderneiros" os responsáveis pela mitigação de tais problemas. Lá o assunto foi tratado de forma ostenciva, como mudanças na legislação, código penal, na reestruturação das entidades futebolísticas, assim como de toda a forma policial responsável pela segurança de tais eventos, além da reeducação dos torcedores. Vale ressaltar também que o perído histórico em que a Inglaterra passou por esse clímax de violência no futebol não era dos melhores, fato esse que veio repertir dentro e fora dos gramados anglos-saxões.

O futebol é a alma do brasileiro, é o ópio do povo, e eu digo isso como brasileiro, HEXAgeradamente são-paulino e membro de torcida organizada há 13 anos, no entanto, frequento os jogos do mais querido a mais tempo. Durante todos esses anos acompanhando o meu time em diversos estádios do Brasil o que ví foi sempre a mesma coisa: falta de ingresso, exesso de cambista, estádios que parecem chiqueiros - não estamos falando somente do Pq. Antártica - e, principalmente uma milícia, quer dizer, polícia, visivelmente despreparada (tá lembrado da PM de Brasília na final do Brasileirão 2008???), que vê o torcedor como inimigo.

É isso aí, vou ficando por aqui. Forte abraço Tricolor!




1 -O nome aplica-se a uma torre de observação localizada no pátio central de uma prisão, manicômio, escola, hospital ou fábrica...e agora estádio de futebol. Aquele que estivesse sobre esta torre poderia observar todos os presos da cadeia (ou os funcionários, loucos, estudantes, torcedores, etc), tendo-os sob seu controle.

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